Mais um ano chegando ao fim.

É a hora de nos planejar e fazer aquelas promessas: “este ano começarei a fazer atividade física”,  “este ano vou emagrecer x quilos” ou  “este ano vou parar de fumar”, etc. etc. etc.

Todo o final de ano fazemos as mesmas promessas que raramente cumprimos, não é mesmo?

Como fazer diferente? Como colocar em prática tudo aquilo que desejamos para nós mesmos no novo ano que se inicia?

Vou recorrer a um trecho do livro “O Poder do Hábito”, de Charles Duhigg:

“Ela era a participante de estudo favorita dos cientistas. Lisa Allen, de acordo com sua ficha, tinha 34 anos, começara a fumar e beber aos 16, e lutara com a obesidade durante a maior parte da vida. Chegou a um ponto, aos 20 e poucos anos, em que órgãos de cobrança começaram a persegui-la para recuperar mais de 10 mil dólares em dívidas. Um velho currículo listava que seu emprego mais longo durara menos de um ano.

A mulher que estava diante dos pesquisadores naquele dia, no entanto, era esbelta e vibrante, com as pernas tonificadas de uma corredora. Parecia uma década mais nova que as fotos em seu prontuário, e capaz de aguentar mais exercícios do que qualquer outra pessoa no recinto. Segundo o relatório mais recente em seu arquivo, Lisa não tinha dívidas, não bebia e estava em seu 39º mês numa empresa de design gráfico.

“Quanto tempo faz desde o seu último cigarro?”, um dos médicos perguntou…

“Quase quatro anos”, ela disse, “e perdi 27 quilos e corri uma maratona desde então”. Ela também começara um mestrado e comprara uma casa. Tinha sido um período cheio de acontecimentos.

“Sei que você já contou essa história umas dez vezes”, disse o médico para Lisa, “mas alguns dos meus colegas só a ouviram em segunda mão. Você se importaria em descrever de novo como parou de fumar?”.

“Claro”, disse Lisa. “Começou no Cairo.” As férias tinham sido uma decisão um tanto impulsiva, ela explicou. Alguns meses antes, seu marido chegara do trabalho e anunciara que ia deixá-la porque estava apaixonado por outra mulher. Lisa levou um certo tempo para processar a traição e assimilar o fato de que estava realmente se divorciando. Houve um período de luto, depois um período em que ela o espionava obsessivamente, seguia sua nova namorada pela cidade, ligava para ela depois da meia-noite e batia o telefone. Depois houve a noite em que Lisa apareceu na casa da namorada, bêbada, esmurrando a porta dela e gritando que ia queimar o prédio inteiro.

“Não foi uma época muito boa para mim”, disse Lisa. “Eu sempre quisera ver as pirâmides, e ainda não tinha estourado o limite dos meus cartões de crédito, então…”

Em sua primeira manhã no Cairo, Lisa acordou com o raiar do dia ao som do chamado para oração de uma mesquita ali perto. Estava escuro como breu dentro de seu quarto de hotel. Meio cega, e com o fuso horário alterado, ela pegou um cigarro. Estava tão desorientada que não percebeu — até sentir o cheiro de plástico queimado — que estava tentando acender uma caneta, não um Marlboro. Lisa passara os últimos quatro meses chorando, comendo compulsivamente, sem conseguir dormir, e sentindo-se envergonhada, desamparada, deprimida e furiosa, tudo ao mesmo tempo. Deitada na cama, ela entrou em colapso. “Foi como se aquela onda de tristeza me engolisse”, ela disse. “Senti como se tudo o que eu jamais quisera tivesse desmoronado. Eu nem conseguia fumar direito. “E então comecei a pensar no meu ex-marido, e em como seria difícil arranjar outro emprego quando eu voltasse, e como eu ia odiar esse emprego e como me sentia pouco saudável o tempo todo. Levantei e derrubei uma jarra d’água que se estilhaçou no chão, e comecei a chorar ainda mais. Senti um desespero, como se tivesse que mudar algo, tivesse que achar pelo menos uma coisa que eu fosse capaz de controlar.”

Tomou uma ducha e saiu do hotel. Enquanto Lisa passava pelas ruas esburacadas do Cairo num táxi e depois pelas estradas de terra que levavam à Esfinge, às pirâmides de Gizé e ao vasto, interminável deserto ao redor delas, sua autocomiseração cedeu por um breve instante. Ela precisava de um objetivo na vida, pensou. Algo pelo qual pudesse batalhar. Então ela decidiu, sentada dentro do táxi, que voltaria ao Egito e faria uma trilha pelo deserto. Lisa sabia que era uma ideia maluca. Estava fora de forma, com excesso de peso e sem dinheiro no banco. Não sabia o nome do deserto para onde estava olhando, ou mesmo se uma tal viagem era possível. Nada disso importava, no entanto. Ela precisava de alguma coisa em que se focar. Lisa decidiu que se daria um ano para se preparar. E para sobreviver a uma expedição daquelas, tinha certeza de que precisaria fazer sacrifícios. Principalmente, ela teria que parar de fumar.

Quando Lisa finalmente cruzou o deserto 11 meses depois — só que numa excursão motorizada com ar-condicionado, junto com meia dúzia de outras pessoas —, a caravana levava tanta água, comida, barracas, mapas, aparelhos de GPS e rádios bidirecionais que acrescentar um pacote de cigarros não teria feito muita diferença.

Mas no táxi, Lisa não sabia disso. E para os cientistas no laboratório, os detalhes da sua viagem não eram relevantes. Pois, por motivos que eles só estavam começando a entender, aquela pequena mudança na percepção de Lisa naquele dia no Cairo — a convicção de que precisava parar de fumar para realizar seu objetivo — desencadeara uma série de transformações que acabariam refletindo em todas as partes de sua vida.

Ao longo dos seis meses seguintes, ela substituiria o cigarro pela corrida, e isso, por sua vez, mudou o jeito como ela comia, trabalhava, dormia, guardava dinheiro, organizava seus dias de trabalho, fazia planos para o futuro, e assim por diante. Ela começaria a correr meias maratonas, depois uma maratona, voltaria a estudar, compraria uma casa e ficaria noiva.“

Interessante não? Mas o mais extraordinário é que se Lisa conseguiu todos nós conseguimos também.

Pronto para começar?

1. Tenha um foco, uma meta

A coisa mais importante é ter um objetivo, isto te deixará motivado.

2. Faça uma lista do que você quer realizar

Faça uma lista do que quer. Defina para cada meta uma data. Depois, ao lado de cada item, coloque uma ação a ser tomada.

3. Faça um painel de imagens

Procure imagens do seu objetivo: o corpo perfeito, uma vida saudável, um bem material, etc. e faça um painel. Deixe este painel sempre à vista para que possa impregnar seu subconsciente. O subconsciente precisa de imagens.

4. Comece por uma pequena mudança

Comece com pequenos objetivos e à medida que vai alcançando, pule para os maiores. Começar por uma pequena mudança irá desencadear várias outras mudanças na sua vida.

5. Visualize e sinta

Feche os olhos, respire fundo 3 a 4 vezes e visualize seu objetivo como “se já estivesse concluído”. Veja a cena, e o mais importante sinta a emoção de já ter conseguido. Fique alguns minutos visualizando e agradeça ao universo. Solte, isto é, não duvide.

6. Faça bilhetinhos

Escreva em post-its ou pequenos pedaços de papel, frases de incentivo que irão ajudar você a conseguir alcançar sua meta, e espalhe pela sua casa, mesa de escritório, bolsa, carteira, carro, etc.

7. Persista por 21 dias

Para criar um hábito novo precisamos de pelo menos 21 dias. Desta forma, mantendo nosso foco, fazendo coisas novas e persistindo por este período, o hábito se instala.

E lembre-se:

Você (o eu, o espírito, a centelha divina) está no comando da sua mente e do seu corpo. Uma vez que decretar um objetivo, nada te faz parar, se assim você desejar.

Perceba de uma vez por todas que não é vítima das circunstâncias, mas sim protagonista da sua própria vida.

Determine-se e mude sua vida!!!

E que este ano seja maravilhoso e cheio de promessas, desta vez cumpridas!

Beijos

Selene Maglyat